Licitações de obras de engenharia têm regras próprias que vão muito além das exigências de um pregão eletrônico comum. Entender esses requisitos específicos é fundamental para qualquer construtora, escritório de engenharia ou empresa de serviços técnicos que queira conquistar contratos públicos.
Este guia explica os pontos mais importantes: documentação técnica exigida, como compor preços corretamente, os erros mais comuns que levam à desclassificação e as melhores estratégias para competir nesse mercado.
O que Caracteriza uma Licitação de Obras
Antes de tudo, é preciso entender o que o governo classifica como “obras de engenharia”:
- Construção, reforma ou ampliação de edificações
- Obras de infraestrutura (estradas, pontes, saneamento, barragens)
- Instalações prediais (elétrica, hidráulica, ar-condicionado)
- Obras de urbanização e paisagismo
- Serviços de engenharia de alta complexidade (projetos estruturais, geotecnia)
Para esses contratos, a lei exige documentação e critérios de habilitação mais rigorosos do que para serviços comuns.
Modalidades para Obras de Engenharia
| Modalidade | Valor (obras) | Quando usar |
|---|---|---|
| Pregão Eletrônico | Qualquer valor | Serviços de engenharia comuns (manutenção, conservação) |
| Concorrência Eletrônica | Acima de R$ 3,3 mi | Obras de maior complexidade técnica |
| Tomada de Preços | Até R$ 3,3 mi | Obras de médio porte (em extinção pela nova lei) |
| Dispensa de Licitação | Até R$ 100 mil | Obras emergenciais ou de pequeno valor |
Habilitação Técnica: o Principal Obstáculo
A habilitação técnica é o que diferencia licitações de obras das demais. Ela exige dois tipos de comprovação:
1. Capacidade Técnico-Profissional
A empresa precisa ter em seu quadro permanente (sócio, empregado ou responsável técnico) um profissional com registro no CREA (engenheiros) ou CAU (arquitetos) que possua Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) ou Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) em obras similares.
2. Capacidade Técnico-Operacional
A empresa (não o profissional) precisa comprovar que já executou obras de características semelhantes. A prova é feita por:
- Atestado de capacidade técnica emitido pelo contratante anterior
- Acompanhado da ART/RRT do profissional responsável pela obra
- Registrado no CREA/CAU da região onde a obra foi executada
- Registro ou inscrição no CREA ou CAU (empresa e responsável técnico)
- Atestado de capacidade técnico-operacional com características similares
- ART/RRT do profissional que assinou o atestado
- Comprovação do vínculo empregatício do RT com a empresa
- Certidão de acervo técnico (CAT) do CREA/CAU do responsável
- Certificado de Registro Cadastral (CRC) se a licitação exigir
Além da habilitação técnica, confira o guia completo de habilitação em licitações para não esquecer nenhum documento.
Como Montar o Preço de uma Obra
Este é o ponto onde mais empresas erram. O preço de uma obra não é só custo de material + mão de obra. A estrutura correta é:
Custo Direto
O custo direto inclui tudo que vai fisicamente para a obra:
- Materiais e equipamentos
- Mão de obra direta (com encargos sociais)
- Subcontratações
- Despesas com canteiro de obra
BDI — Bonificação e Despesas Indiretas
Sobre o custo direto, aplica-se o BDI. Ele cobre:
- Administração central (proporção da sede na obra)
- Seguros e garantias
- Riscos da obra
- Tributos (ISS, PIS, COFINS, CPRB)
- Lucro
Referência de Preços: SINAPI e SICRO
A lei exige que o orçamento da licitação use como referência:
- SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) — para edificações
- SICRO (Sistema de Custos Referenciais de Obras) — para rodovias e obras de transporte
Se sua proposta ficar abaixo de 70% do orçamento estimado, você precisará apresentar planilha demonstrando a viabilidade econômica, ou sua proposta será desclassificada.
Para saber mais sobre como montar propostas competitivas, veja como elaborar uma proposta para licitação.
Documentos Técnicos do Edital que Você Precisa Analisar
Antes de qualquer proposta de obra, analise estes documentos com atenção:
- Projeto Básico ou Executivo — plantas, especificações técnicas, memória de cálculo
- Planilha Orçamentária — quantitativos e preços unitários de referência
- Composição de Preços Unitários — detalhamento de cada item da planilha
- Cronograma Físico-Financeiro — etapas de execução e pagamentos
- Memorial Descritivo — materiais, normas técnicas e padrões exigidos
Critérios de Julgamento em Obras
Ao contrário do pregão (que sempre usa menor preço), obras podem adotar diferentes critérios:
Menor Preço — O mais comum. Vence quem oferecer o menor valor global, desde que comprove exequibilidade.
Melhor Técnica e Preço — Usado quando a qualidade técnica é fator relevante. A proposta técnica recebe uma nota, combinada com a nota de preço. Mais comum em obras complexas como hospitais, aeroportos e sistemas de TI integrados.
Maior Desconto — A empresa oferece um percentual de desconto sobre a tabela de referência (como SINAPI). Bastante usado em contratos de manutenção predial contínua.
- Habilitação técnica é o filtro mais rigoroso nas obras — prepare documentação com antecedência
- BDI acima dos limites do TCU leva à desclassificação ou glosa
- Propostas abaixo de 70% do SINAPI precisam de justificativa detalhada
- Leia o projeto básico antes de montar a proposta — erros de quantitativo custam caro
Regimes de Execução: Qual Escolher
A lei prevê três regimes principais para obras:
Empreitada por Preço Global — Você executa a obra inteira por um valor fixo. Variações de quantitativo são por sua conta. Indicado quando o projeto está bem detalhado.
Empreitada por Preço Unitário — Cada item tem um preço por unidade. O valor total varia conforme as medições. Indicado em obras onde os quantitativos são incertos.
Contratação Integrada — A empresa faz o projeto executivo e a obra. Usada quando o órgão só tem o anteprojeto. Maior risco, mas também maior margem para eficiência.
O edital define o regime. Sua planilha de preços precisa se adequar ao regime escolhido.
Usar um sistema para monitorar licitações de obras automaticamente te coloca na frente da concorrência, garantindo que você nunca perca um edital relevante para o seu segmento.
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Quero monitorar obrasErros Comuns em Obras que Levam à Desclassificação
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Proposta sem composição de preços unitários — O edital quase sempre exige que você detalhe como chegou a cada preço unitário da planilha.
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Responsável técnico sem vínculo comprovado — O RT precisa estar no quadro permanente da empresa. Contrato temporário ou CLT suspenso não conta.
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Atestado sem parcela de maior relevância — O edital especifica qual é a parcela técnica relevante. O atestado precisa comprovar exatamente aquela característica.
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Planilha com itens zerados — Se você zerar itens, precisa declarar que aquele custo está incluído em outro item. Caso contrário, configura proposta inexequível.
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Não visitar a obra antes de proposta — Muitos editais fazem visita técnica obrigatória. Perder a visita = perder a licitação.
Para evitar todos esses erros, conheça também os erros fatais em licitações que eliminam empresas ainda na fase de habilitação.